Evolucionismo vs Criacionismo, o debate continua…

 

 

Rita  Magalhães

 

            Este tema pode não ser novo para o leitor e talvez nem trazer nenhuma mudança ao que tem sido abordado nos últimos anos tanto de uma perspectiva como de outra. No entanto, continua e sempre será alvo de debate, discussão por vezes bastante acesa, por parte dos seus defensores e apoiantes, até ao dia em que a Ciência deixe de ser Ciência que se apoia em postulados muitas vezes não confirmados e por isso mutável, ou até ao dia em que o Criacionismo apresente provas cada vez mais sólidas e “científicas” da evidência de um designer inteligente para que aqueles que não têm fé a aceitem.

            No dia 23 de Outubro, no auditório da Biblioteca Municipal de Oeiras, incluído no 3º Ciclo de Conversas “A Ciência Não Morde” teve lugar o debate Evolucionismo vs Criacionismo, com a presença do Prof. Ludwig Krippahl do lado dos evolucionistas, e do Prof. Jónatas Machado do lado dos criacionistas. Embora o Prof. Ludwig seja formado na área de Ciências e o Prof. Jónatas na área de Direito, este debate mostrou-se bastante equilibrado e com bastante argumentação embora as evidências cientificamente comprovadas ficarem um tanto aquém tanto de um lado como de outro.

O Prof. Jónatas Machado começou por apresentar a doutrina bíblica da criação, confrontando a Palavra de Deus com as Hipóteses Humanas, defendendo a infalibilidade e verdade da primeira contra a mutabilidade da segunda. Ao longo da sua prelecção apontou a chave do Criacionismo, este está centrado em Deus que criou leis naturais, que desde a criação do universo até à vida é o desenhador inclusive da complexidade de informação codificada (ADN) e que cuja verdade podemos ver na vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo que foi testemunhado e documentado por muitos homens no passado. O Prof. Ludwig apresentou a Teoria da Evolução e fez questão de diferenciar de Evolucionismo, apontando e esclarecendo para a evidência que a Ciência é mutável e que isso é fundamental no aprofundamento do conhecimento e desenvolvimento do progresso. Deste modo, a sua apresentação baseou-se em explicar que uma teoria cria esquemas que depois são trabalhados para desenvolver modelos detalhados. Na sua apresentação, chegou mesmo a remeter a inteligência da criação do código de ADN para os homens que lhes atribuíram letras e desta forma esquematizaram a informação codificada.

De uma forma geral, a apresentação criacionista pôs em causa muitos evolucionistas que aceitam a teoria de Darwin mesmo sem factos, ou seja, também por uma questão de fé. Criticou e colocou em causa a falibilidade de várias técnicas e métodos evolucionistas como o de datação de fósseis, um “fóssil de idade” considerado extinto foi encontrado em 1938. Desta forma, o Prof. Jónatas põe em causa todo um modelo onde a Ciência se tem apoiado há muitas décadas como o próprio refere, a teoria de que a terra tem 4.5 biliões de anos depende desse modelo “Se o modelo cair a idade cai. Acho que o modelo está a cair.”, afirma o professor. Esteve presente a mensagem de que a existência do Universo é para a Glória de Deus e que por isso faz todo o sentido conhecê-lo cada vez mais e assim reconhecer a existência de um designer inteligente. A audiência presente estava bastante participativa e penso que pouco aberta a aceitar a existência do Criacionismo como uma teoria bastante válida mas preferindo aceitar que tudo o que existe surgiu de forma acidental mesmo quando foram apresentados cientistas conceituados que defendem que a probabilidade de tal ter sucedido é zero.

Muitas questões ficaram por responder e muitas irão sempre ficar para os evolucionistas até que se avance cientificamente, para os criacionistas o que não se explica acredita-se pela Fé. Mas no fundo é uma questão de fé tanto de uma parte como para outra, porque também os evolucionistas têm de acreditar na Evolução sem conseguirem explicar muitas das evidências achadas. Cabe a cada um escolher no que acreditar, mas como refere o prof. Jónatas “O naturalista olha para o sistema solar e não vê Deus. O crente olha para as condições precisas e raras (a complexidade da vida) e vê Deus”.

 

 

--Rita Magalhães
Natural de Marinha Grande, é enfermeira. Frequenta o Seminário
Teológico Baptista em Queluz